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domingo, 26 de agosto de 2012

Tiroteio em NY: um erro muito maior que a polícia.

Por Fabricio Rebelo

A divulgação de que saíram das armas dos policiais os tiros que feriram os turistas em Nova Iorque, no tiroteio do último dia 24, tem causado severas críticas à atuação do departamento de polícia daquela cidade, gerando um forte questionamento sobre a preparação de seus agentes para enfrentar a realidade das ruas. Contudo, o que poucos sabem é que, nesse fatídico caso, a polícia também pode ser uma vítima.

A atuação policial no episódio foi desastrosa, sem nenhuma dúvida. O vídeo da abordagem mostra policiais beirando um ataque de pânico ao se aproximarem do, até então, suspeito, e até mesmo a negligência na adoção dos cuidados mínimos que um procedimento assim exige. Eram, nitidamente, policiais não treinados para aquele tipo de operação.

Mas é possível admitir que a polícia de Nova Iorque não seja bem treinada? Sim, infelizmente é.

A polícia novaiorquina já foi exemplo mundial de eficiência, especialmente na década de noventa, quando, sob o comando do prefeito Rudolph Giuliani, ali se implantou a famosa política da "tolerância zero", com a qual, em curtíssimo espaço de tempo, se conseguiu reduzir os homicídios na cidade em 65% e os crimes em geral em mais de 57%. A polícia virou sinônimo de sucesso, reconhecido até pelo FBI.

Junto com o sucesso, contudo, vieram, especialmente de setores oposicionistas a Giuliani, as críticas por uma suposta atuação policial com desrespeito aos direitos humanos. Ações enérgicas da polícia, legítimas ou "fabricadas", passaram a ser invocadas para mostrar que, a pretexto da redução de crimes, direitos e liberdades dos cidadãos estariam sendo violados. Era a contaminação pelo politicamente correto, mesmo diante de resultados tão positivos na pacificação social.

Desde então, a realidade policial em Nova Iorque muito se modificou. Parecer mais próxima do povo e verdadeiramente cidadã passou a ser uma preocupação antes inexistente, tudo para recuperar a boa imagem da corporação, salvando-a de um dano que, aos olhos da maioria da população, jamais sofrera. As consequências não se limitaram ao aumento da criminalidade, que levou a cidade a índices significativamente superiores à média nacional, mas também atingiram a própria forma de agir e a preparação de seus policiais.

Hoje, Nova Iorque tem como prefeito Michael Bloomberg, um político acidental, que tem origens legítimas em atividades de mídia e que, antes de tudo, é um ideólogo desarmamentista, ferrenho defensor de restrições ao direito assegurado pela segunda emenda da constituição americana, a ponto de, logo após o tiroteio, ter ido a público para condenar as armas pelo evento, sem saber que as únicas a ferir terceiros foram as da polícia.

Sob o comando de Bloomberg, a polícia novaiorquina passou a atuar de modo muito diferente dos - para muitos saudosos - idos do prefeito Giuliani e, agora, tudo se faz para evitar um confronto letal. O treinamento da polícia da "grande maçã" é hoje centrado em técnicas de não letalidade, com a crescente utilização de armas e equipamentos de imobilização de baixo impacto, como os já famosos - e nem tão inofensivos - tasers (armas de choque). O resultado disso é que, paulatinamente, policiais estão se afastando do combate real das ruas, verdadeiramente desaprendendo a técnica que se exige para revidar um ataque potencialmente letal. 

Logo, quando uma ação como a da última sexta-feira é necessária, pois somente com armas de verdade se poderia neutralizar o agressor, os policiais simplesmente não sabem exatamente o que fazer. Se aproximaram errado, deram tiros demais, atiraram em angulação incorreta, não livraram os alvos secundários, enfim, erraram muito. São culpados? Sim, não se pode livrar a responsabilidade de quem puxa o gatilho, seja lá em que situação for. Mas são os únicos ou os maiores responsáveis? Não, definitivamente.

O grande responsável pelo evento fatídico da quadra do Empire State Building é o treinamento que hoje é dado ao policial de Nova Iorque, para quem sorrir tornou-se mais importante do que agir. 

O episódio ainda será muito debatido, sem dúvida, e certamente muito se questionará sobre a atuação e o preparo da polícia, mas a primeira certeza que fica é a de que, no mundo real, onde os agressores atiram para matar, a polícia tem de estar muito bem preparada para fazê-los morrer. Não se combate tiros de verdade com armas de choque, não se reduz violência com passeatas de roupa branca e pombas da paz. O mundo real não comporta ideologias, exige ações. Giuliani sabia bem disso e está deixando cada dia mais saudade.

Fabricio Rebelo | bacharel em direito, pesquisador em segurança pública, diretor da ONG Movimento Viva Brasil e colaborador do blog @DefesaArmada.

>> Texto de livre reprodução, desde que na íntegra e preservando-se a indicação autoral.

2 comentários:

  1. Belo texto, é claro que o melhor seria se tudo se resolvesse com um simples sorriso, mas a vida real não é assim, e param de falar que as armas matam, quem matam sao as pessoas, que as utilizam, seja intencionalmente seja um acidente, carros aviões, piscinas, tudo mata

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  2. Nelson de Azevedo Neto26 de agosto de 2012 17:48

    Tanto lá(em NY), como cá(em terras brasilis), a politicagem ideológica infundada e equivocada mostra-se capaz de causar danos irreparáveis a ordem do conjunto social... Eu sempre me pergunto: - Será que as “autoridades competentes” consultam de fato e de direito a população para que os orientem em qual política de segurança adotar... Ou se as mesmas “autoridades competentes” devem, ao invés de guinar em 180 graus numa política de segurança que dá alguns bons resultados, passe se empenhar apenas pela correção dos aspectos negativos e/ou aperfeiçoamento dos pontos positivos... Como pode se avançar positivamente e qualitativamente numa política de segurança pública se a cada reviravolta no quadro político dominante “pula-se ideológicamente do 8 para o 80”, sem se levar em conta de forma honesta, realista, e assistencial, as demandas inerentes majoritárias e factíveis da sociedade como um todo... Como se fosse possível mascarar/maquiar “ad aeternum” o flagelo social cotidiano e midiático da violência com políticas alienígenas utópicas postas (ou impostas) à mesa por uma minoria de “doutores” lunáticos, ou pior, por grupos organizados de indivíduos inescrupulosos... E o Povo nessa “sina de vida” deve ficar passivamente assistindo e acatando os desmandos e os devaneios do Poder Público... DEFINITIVAMENTE; NÃO!... Afinal, enquanto as “autoridades competentes” e os “doutores lunáticos” debatem sobre estas questões em seus gabinetes refrigerados e cercados de segurança, o “Seu Joaquim da Padaria” vê quase todos os dias o seu projeto empreendedor de vida ser saqueado por meliantes armados, apavorando funcionários, afastando clientes, e causando prejuízos financeiros de toda ordem... E a preocupada e acuada “Dona Maria, mãe, esposa, e funcionária do lar” vê a si própria e à seus filhos definharem trancados em suas próprias casas engradeadas e rezando, todo os dias, pelo retorno, são e salvo, do trabalho de seu marido honesto e produtivo, enquanto degenerados de toda espécie andam desinibidamente, e cheios de direitos e benefícios legais, soltos pelas ruas montando o terror... E A POLÍCIA???... WELL!... As Polícias seguem humanamente incapazes de reverter sózinhas o quadro de barbárie e desordem social... Hora, caçadores!... Hora, meros caçados!... Hora, heróis! ... Hora, vilões!... Além de se verem “obrigados por força dos vícios da lei” a atenderem de forma subserviente aos, nada nobres (leia-se: escusos), interesses políticos-partidários dos Poderes Executivos (com as bênçãos dos seus lacaios/comparsas do Legislativo e do Judiciário) e acatando suas doutrinações ideológicas... E, para constatarmos tal doutrinação ideológica dos aparatos policiais basta-nos ver o “banner” na pagina principal do site da Polícia Federal que traz os seguintes dizeres: “ TIRE UMA ARMA DO FUTURO DO BRASIL”... Ora! E por que não melhor seria: “TIRE UM FACÍNORA OU UM CORRUPTO DO FUTURO DO BRASIL”... Pois até os mais primitivos dos povos sabem que: “POVO DESARMADO É POVO INDEFESO... E POVO INDEFESO É POVO ESPOLIADO”... E JÁ BASTA DE NOS CURVARMOS A TIRANIA DOS CANALHAS.

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