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domingo, 22 de julho de 2012

Áreas livres de armas ou áreas livres para massacres?

* Por Fabricio Rebelo

Nem bem cessaram os disparos do assassino do cinema de Aurora, no Colorado (EUA), os ideólogos desarmamentistas brasileiros entraram em polvorosa, não perdendo tempo para requentar seu monotônico discurso sobre banimento de armas, seu maior controle ou monopólio pelo Estado. O fato é, no mínimo, curioso, pois demonstra como, por aqui, a milhares de quilômetros daquele cinema, nossos autoproclamados especialistas adotam um discurso diametralmente oposto ao que surge nos Estados Unidos, palco da tragédia, sempre que fatalidades assim acontecem.

Enquanto por aqui se socorre ao simplismo do discurso desarmamentista, pondo a culpa de eventos assim na arma, como se ela pudesse matar sem ninguém para puxar o gatilho, por lá o que se questiona sempre que um assassino ataca vítimas inocentes é a proibição de se ir armado a determinados locais, as chamadas “gun-free zones”, ou, em tradução livre, “áreas livres de armas”.

Para os menos familiarizados com o tema, é fácil achar sentido na tese de que leis mais restritivas sobre armas possam contribuir para evitar ações insanas, como a que ora se repercute na mídia. Contudo, o que é necessário saber é que essas tragédias têm como característica comum, exatamente, o fato de terem por palco locais nos quais os frequentadores não podem adentrar armados. Cinemas, escolas e universidades são locais em que o cidadão não pode portar armas, sob pena de se submeter a rigorosas punições previstas em lei. Mas assassinos insanos não seguem a lei.

Ao se pesquisar tecnicamente os fatídicos massacres já registrados mundo afora, tem-se nítida a constatação de que o fato de terem ocorrido em locais onde armas são proibidas não é coincidência. Ao contrário, o que se vê no curso das investigações, sobretudo quando o assassino permanece vivo, é a escolha criteriosa desses locais para os ataques, pois ali não há chance de que uma vítima reaja e mate sumariamente o agressor, cessando sua investida.

Após a mais famosa chacina do gênero, ocorrida em Columbine – outra, até então, gun-free zone – a discussão mais acirrada que se travou no estado do Colorado foi sobre a liberação para que alunos e professores pudessem passar a frequentar o campus armados, pois toda a investigação demonstrou que, se isso fosse uma realidade, o ataque teria cessado na primeira ou, no máximo, segunda vítima atingida pelo assassino. A questão ainda é debatida, sempre reavivada por ataques como o do cinema de Aurora, mas, do ponto de vista técnico, desprovido de contaminação ideológica, a questão já avançou e, hoje, se não professores e alunos, pelo menos seguranças armados já são presença constante no campus de Columbine, fato que era completamente proibido antes do ataque.

Aqui no Brasil, na chacina de Realengo, bastava um professor ou funcionário da escola armado para que o assassino das doze crianças inocentes fosse parado. Assim que a primeira arma além das dele chegou ao local, o ataque cessou. Só que isso já foi muito tarde para as doze vidas perdidas.

Enquanto por aqui se perde tempo com um discurso utópico de banimento de armas, coisa que não funcionou em absolutamente lugar nenhum do mundo, nos EUA, que têm uma taxa de homicídios cinco vezes menor que a brasileira e um total de armas quase trezentas vezes maior, a discussão felizmente é técnica. Hoje, as gun-free zones são extremamente questionadas e, basta uma mera pesquisa sobre o assunto para se identificar até o apelido que já receberam por lá: “kill zones”, ou, também em livre tradução, “zonas de assassinatos”.

Dizem que grandes tragédias sempre trazem grandes lições, e esta caminha para reduzir, nos EUA, as áreas consideradas livres de armas. Pena que por aqui os exemplos insistam em ser distorcidos e o país inteiro esteja se tornando uma “kill zone”, com cidadãos perdendo suas vidas diuturnamente sem nenhuma chance de defesa, tudo em nome de uma experiência ideológica que faz deles suas cobaias. Até quando?

Fabricio Rebelo | bacharel em direito, pesquisador em segurança pública, coordenador da ONG Movimento Viva Brasil e colaborador do blog @DefesaArmada


10 comentários:

  1. marcelo antonio elihimas22 de julho de 2012 09:18

    Muito bom, o artigo. Claro e límpido. Valeu Rebelo!

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  2. Parabéns pelo texto! Muito objetivo!
    Fica aqui meu desabafo, pois no "Brazil", o que se objetiva são os "narcodolares", a a Rede Globulo e a ONG Viva Rio querem o cidadão honesto sob a opressão do crime organizado e divulgado por eles... O pior que outras redes de TV, leia-se manipulação em massa, entrou na onda do "tira a arma do mocinho e deixa a do bandido queto".
    Aqui o sistema é bruto, se bandido entrar na minha casa, sai na caixa de madeira!

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  3. Perfeito. Ótimo texto.

    Nesse episódio do cinema, bastava ter um senhor (como o da lan house - http://qap24horas.blogspot.com.br/2012/07/senhor-de-71-anos-atira-em-criminosos.html) para que varias vidas fossem poupadas.

    Grande parte da culpa dessas tragédias são desses desarmamentistas imbecis, que não passam de covardes. E o pior é que querem impor sua covardia aos outros.

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  4. Realmente: "kill zone" fez todo o sentido para as Área livres de armas (de cidadão honestos). Outro ponto, massacres como este só provam que policia não é onipresente, inclusive nos EUA. A primeira e principal fonte de defesa, é nada além de você mesmo.

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  5. Excelente Texto, não poderia ser melhor.

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  6. O que posso dizer é que enquanto os Americanos avaliam as situações e entendem que o ocorrido é um fato isolado em razão de um sujeito insano, os desarmamentistas brasileiros chegam a comemorar mais uma trajédia. Ou seja, para os que apóiam o direito de ter e portar armas, o ocorrido é realmente uma trajédia e algo a se lamentar, mas para os desarmamentistas, é motivo de comemoração.

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  7. Nelson de Azevedo Neto23 de julho de 2012 14:06

    Deixando de lado as questões ideológicas e/ou os pressupostos interesses escusos de muitos pseudos-desarmamentistas, imagino como deve ser difícil para muitos indivíduos essencialmente urbanos, que se vêem desafiados cotidianamente à competirem pela sobrevivência nas "SELVAS DE PEDRAS", entender que não serão as armas-de-fogo que farão tal flagelo social se agigantar... Para uma pessoa como eu que nasceu no grande centro de uma metrópole (Rio de Janeiro), mas não só cresceu e viveu nesta cidade como também em várias outras, e principalmente em diversas cidades do interior/litoral, e que tem contato com armas-de-fogo desde a primeira infância, disparou o primeiro tiro com apenas 3 anos de idade com o auxílio do próprio pai, ganhou a primeira carabina de ar comprimido aos 8 anos, e a primeira arma-de-fogo aos 16 (uma pistola)... Praticava frequentemente o tiro informal e participou de grupos de caça com caçadores de todas as classes sociais (dos mais humildes aos mais aparelhados), conviveu com policiais e militares (entre familiares e amigos/conhecidos)... Teve que recorrer algumas vezes à exposição ou ao uso de armas-de-fogo para conter a estupidez humana ou a ação de meliantes... Mas nem mesmo assim, ao longo de toda a minha vida, nem mesmo na fase mais inconsequente ou economicamente difícil, cogitei a possiblidade de fazer uso de uma arma para subjugar (por motivo torpe ou fútil) ou subtrair pertences de um semelhante... E, felizmente, mesmo nas ocasiões em que precisei recorrer as armas-de-fogo por estado de necessidade ou contra ameaças de ordem diversa à minha pessoa ou à de terceiros, não se fez necessário ou inevitável ceifar nenhuma vida humana, fosse pela sorte das circunstâncias ou pela ação tática empregada (mas o faria sem titubear se as circunstâncias me exigissem)... Por tanto e por tudo vivenciado ao longo do meu quase meio século de vida, tenho a convicção de que enquanto houver a menor possiblidade de um indivíduo humano, mau intencionado ou degenerado por deformação do caráter, ter acesso à meios que o faça poderoso o bastante para subjugar o seu próximo, também fará necessário que qualquer cidadão (de bem, até que se prove ou constate, inequívocamente, o contrario), ao livre arbítrio, se faça valer de recursos proporcionalmente poderosos para dissuadi-lo ou contrapô-lo... Eu como sêr humano adulto, Homem de bem, dotado de consciência crítica, e que jamais concorri deliberadamente para o “mal social”, quero ter respeitado, legalmente de preferência, o meu direito natural, primário, e inalienável (e apontados pelos princípios pétreos constitucionais)... E o mesmo direito que desejo pra mim, desejo para o meu próximo se assim for de sua vontade, sendo que cada um de nós somos, única e exclusivamente, responsáveis pelos próprios atos, salvo raras exceções... E não tenho a menor dúvida que o direito que exijo está respaldado na vontade da maioria esmagadora dos indivíduos que compõem a sociedade na qual estou inserido... E NESTE PAÍS SOMOS TODOS REGIDOS PELO MESMO MANTO DEMOCRÁTICO QUE CONSTITUCIONALMENTE GARANTE QUE O PODER ENANA DO POVO, através de seus representantes, OU DIRETAMENTE... Então que se faça valer, e revoguem-se todos os dispositivos em contrário... AMÉM!

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  8. Nelson de Azevedo Neto23 de julho de 2012 16:15

    Oops!Errata!... Digo: "... O PODER EMANA DO POVO..."; e, "... e se revogue todos os dipositivos em contrário..."

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  9. Excelente texto. O Brasil é realmente o país do avesso ...

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  10. No Security Guards On Duty At Aurora, Colorado, Theater On Night Of Massacre
    Read more at http://www.inquisitr.com/288075/no-security-guards-on-duty-at-aurora-colorado-theater-on-night-of-massacre/

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